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domingo, 14 de setembro de 2008

Notícias da semana

[http://jn.sapo.pt/PaginaInicial/Nacional/Interior.aspx?content_id=1013067]

Mais um ano lectivo começou e saíram já os resultados das candidaturas da 1ª fase. O balanço parece-me claramente positivo, entraram mais alunos, as vagas aumentaram também. As notas mantêm-se elevadas, reparem que medicina, preencheu todas as vagas destinadas aos candidatos da 1ª fase, o que não aconteceu o ano passado na Universidade (Clássica) de Lisboa, sendo que o último candidato entrou com 14 e não se chegaram a preencher todas as vagas. Mas pouco há a dizer sobre a notícia, os números são números, frios e exactos como sempre, embora a sua apreciação possa ser parcial. O número de estudantes que entraram subiu 3%, as notas mais baixas foram superiores aos anos transactos, o que pode ser explicado por vários factores, nomeadamente o menor grau de dificuldade dos exames nacionais, mas como se costuma dizer, esses são iguais para todos, no entanto, essa expressão pode esconder uma certa injustiça, para com aqueles que não entraram no ano passado nas universidades que desejavam, tendo ingressado na sua 2ª ou 3ª opção, não optando por esperar mais uma ano, pois este facilitismo a nível dos exames nacionais não era expectável. Contudo, não há que esquecer que este ano os exames de 11º avaliaram matérias de 10/11º o que já acontecia antes, mas os exames de 12º desta vez, avaliavam a matéria leccionada nos últimos 3 anos.

Queria ainda comentar a seguinte frase: "O Ministério esclarece ainda que mais de metade dos candidatos (53%) conseguiu entrar na sua primeira opção."; Parece-me pois um erro considerar este número positivo, pois temos de ter em conta que, quase metade dos candidatos viu os seus sonhos desfeitos, e ingressou numa opção talvez mais longe, ou que, em suma, não era do seu agrado, ou pelo menos, não tanto como a primeira. Como disse à pouco, os números são frios, mas a forma como os apreciamos pode variar, eu admito ter uma visão pessimista em relação a estes. Todavia, uma vez que não tenho presentes os dados dos anos transactos não me vou alargar mais.

Como podem ver a notícia é bastante simples, mas tem vários assuntos nela subrepctíciamente integrados, que não podemos esquecer, não nos deslumbremos com os números, mas queria congratular todos aqueles que conseguiram entrar no ensino superior e viram o seu esforço premiado, alguns quiçá entraram na FD UNL e serão nossos colegas, que lerão isto posteriormente, depois de serem bem prachados e, se tornarem nossos amigos, sendo depois convidados a participar aqui pelo Luís =P

~André

aditamento: Não esquecer ainda que os alunos, este ano, podiam em muitas faculdades, nomeadamente na FDUNL que frequento, candidatar-se apenas com uma especifica, entre filosofica, português ou história, ou seja , com o seu melhor exame destes 3, ao invés do ano transacto , onde tinhamos de nos candidatar obrigatóriamente com Português e História, ou seja, os exames para além de serem mais fáceis,os alunos têm ainda maior margem de erro, pois podem fazer 2 maus exames, com consequências menores do que no ano passado. Com isto tudo, nao quero dizer que sou contra a mudança, o problema é que na minha opinião, estas mudanças não surgiram do facto de o gov se ter apercebido que as exigências eram demasiado elevadas, mas sim porque o gov quis melhorar os resultados obtidos pelos alunos para depois obter estatísticas que lhe são favoráveis e, depois os portugueses ouvirem nas notícias que tivemos dos melhores resultados nos exames de Matemática em comparação com outros países da Europa.

sábado, 13 de setembro de 2008

I Believe I Can FLy (II) by LD


Li a semana passada este artigo do Público (http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1341299&idCanal=58) e lembro-me do barulho que foi feito na altura pelos sindicatos. Ora, na verdade, a sr. ministra da educação mais não podia fazer. Só podia ser contratado o número de docentes que as escolas necessitavam. A ministra não podia, nesta conjuntura, fazer mais. Infelizmente nem todos os que terminam um curso universitário têm emprego garantido. Se só são necessários 10, não podemos contratar 200. Deve ser frustrante, mas a realidade é esta.

Ainda assim, li noutro artigo mais recente (ver: http://jn.sapo.pt/PaginaInicial/Sociedade/Interior.aspx?content_id=1011181 e ainda a fonte oficial: http://www.oecd.org/dataoecd/55/14/41251670.xls) que Portugal tem em média (dos quatros estágios de ensino: pré-primário, primário,secundário e universitário) um professor para cada 12 alunos (11,75), todavia as turmas, em Portugal, têm em média 20/21 alunos.Tudo isto segundo um estudo da OCDE. Ora, "a bota não bate com a perdigota". O que isto parece evidenciar é que há espaço de manobra para ser feita uma reestruturação das turmas (14/15 alunos seria, na minha opinião, o ideal) a nível nacional e desta feita mais professores poderiam ser contratados. Resta é saber se o orçamento do ministério da educação resistiria a tais reformas (para além dos salários dos novos professores contratados, gastos em infra-estruturas [leia-se mais salas, se necessário] para acolher as novas turmas).

No mesmo artigo, e ainda segundo o mesmo estudo da OCDE, está escrito que pese embora o facto «de Portugal ser um dos países do estudo com menor Produto Interno Bruto(PIB) "per capita", os salários dos professores estão ao nível de países com um PIB "per capita" bastante superior"». Portugal ocupa mesmo, em termos de PIB per capita, o 27º lugar numa lista de 36 países estudados. Já os salários de topo de carreira são mesmo dos mais elevados dos países estudados, 8º mais elevado quanto aos professores do ensino primário, 9º para os do ensino secundário e 13º para os da formação pós-secundária.

Desta feita, existindo uma grande oferta de trabalho (profissionais da educação que oferecem os seus serviços), mas existindo também um elevado nível de salários, fixo e "protegido" pelos sindicatos, a procura (entidades patronais) quase de certeza não satisfará a oferta, não só porque a oferta é enorme, como também porque necessariamente os sindicatos "protegem" salários acima do equilíbrio de mercado e isso impede a contratação de mais profissionais. Ou seja, menos professores são contratados, mas os que o são recebem acima do equilíbrio de mercado. Já se o papel dos sindicatos não fosse tão relevante, por hipótese, teríamos uma situação de mais emprego, apesar de piores salários. Não quero com isto dizer que os sindicatos não são importantes, eles tiveram/têm efectivamente grande importância na conquista e defesa de alguns direitos dos trabalhadores. Mesmo assim, há que contudo repensar o seu papel actual e a sua excessiva importância em alguns casos.

Concluindo, um elevado nível de salários leva a que o Estado não possa contratar mais professores e leva por sua vez a que a tal reforma (turmas menores, mais professores, melhor aprendizagem) não possa ser levada a cabo. Talvez uma maior fatia do orçamento de Estado canalizada para a educação também (não unicamente) ajudasse a resolver algumas coisas...



PS - atenção, o desemprego nunca pode ser eliminado totalmente, até porque existe o desemprego friccional, i.e., tendo em conta o dinamismo natural de uma economia e do seu mercado - novos postos de emprego são criados, outros são eliminados, entram trabalhadores, saem trabalhadores - é sabido que para um indivíduo encontrar uma entidade patronal com a qual seja "compatível" é necessário tempo, durante esse período o indivíduo encontra-se na situação de desemprego.





LD

domingo, 7 de setembro de 2008

Notícias da Semana

Era suposto apresentarmos hoje uma notícia que marcou a semana, mas dada a relevância que a seguinte notícia me parece ter e dado o facto de já ter saido há algum tempo, decidi que o melhor seria publicar agora o meu comentário a ela.

Li há uns dias uma notícia acerca da generalização do cartão electrónico nas escolas portuguesas (http://www.educare.pt/educare/Actualidade.Noticia.aspx?contentid=54FBF014E64836EBE04400144F16FAAE&opsel=1&channelid=0).
Ora, estou perfeitamente de acordo com essa iniciativa, uma vez que "a criação de condições adequadas à segurança da população escolar e dos bens instalados nas diversas escolas é, pois, indispensável para se alcançar o sucesso educativo dos alunos, bem como os desenvolvimentos pessoal e profissional da restante comunidade educativa" (in Resolução do Conselho de Ministros n.º 124/2008, D.R. n.º 161, Série I de 2008-08-21 _ ver http://dre.pt/pdf1sdip/2008/08/16100/0584105841.PDF) e ainda porque contribui para a modernização tecnológica do ensino em Portugal. Não haja dúvidas de que isso só favorecerá aqueles que mais interessam - os alunos. Não obstante, houve algo que me chamou a atenção nesta notícia. Nela estava escrito que o cartão permitiria "suprimir a circulação de dinheiro no recinto escolar". Fiquei na dúdiva, pois tantas vezes os Media portugueses extrapulam (diria adulteram) realidades, e fui em busca de confirmação na Resolução de Ministros atrás citada. O mais estranho foi que obtive efectiva confirmação ("permitir, entre outros aspectos, a supressão da circulação de numerário" in Resolução do Conselho de Ministros n.º 124/2008, D.R. n.º 161, Série I de 2008-08-21 _ ver http://dre.pt/pdf1sdip/2008/08/16100/0584105841.PDF) . Pois bem, sendo a moeda ou dinheiro um meio de troca generalizadamente aceite, tal que vários têm sido os processos ganhos em tribunal contra a EMEL por os parquimetros não aceitarem notas, como se pretende suprimir a circulação de moeda nas escolas?! Não será isso ilegal?! Parece-me bem que sim. Como tal, este cartão deveria ser somente uma possível alternativa à moeda (ou se paga com moeda ou com o cartão electrónico) e não a única alternativa de pagamento nas escolas (situação que sei existir, por experiência). Como se explica que um aluno que tenha perdido o seu cartão seja privado de tomar o pequeno-almoço ou o almoço por não poder pagar as refeições com moeda?! Existem os cartões provisórios ou até a segunda via do cartão dir-me-ão. Contudo não se me assemelha justo o facto de o aluno ter de pagar um novo cartão porque a escola não aceita moeda. Nem é justo nem se me assemelha legal, afinal a moeda é um meio de troca generalizadamente aceite.