terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Arte de Escrever


É Arte…
Aliás, a Arte!
Para quem a procura,
Apenas lhe posso dizer que anda por ai…
Sim, por ai!

E a quem a encontrou,
Simplesmente nada!





Pois estes bem sabem…

Que esta…
Não se baseia apenas no escrever,
Mas no descrever…
Não só no lembrar
Mas também no relembrar!
Não no sentir,
Mas no ressentir,
Palavra após palavra…
O batimento cardíaco a entrelaçar-se com a respiração recontida!
Unindo um leve requinte ordinário a uma grande subtileza extraordinária…

Aflora,
Todo um conjunto de palavras
Com sonoridades amplas,
Encontrando sempre algo pigmentado
Em todo o doce pensamento.

Profetiza o imaturo,
Sabendo esperar pela ocasião mais oportuna.
Para desfrutar de todo o seu esplendor!
Atingindo o limite do irreal,
Ziguezagueando entre Presente, Memória e Futuro…
Entre uma conjugação pouco provável,
De sentimentos materializada
Por um leve movimento ascensional,
Que transforma o imaleável
E lhe dá aquela forma conjugada.

E sabe…
Sabe abusar das palavras,
Valsando-as e munindo-as de pontos e vírgulas,
Tons de pensamentos atónitos
Contra,
tempos de raciocínios irónicos!

Dá vida a todo um mundo que já está morto…
Dá a querer,
O que poucos sonharam e que raros atingiram…
Consegue iluminar uma paisagem desfocada
Há quem diga mesmo,
Que dá um sorriso brilhante a um triste pensamento…

Ensina-nos a viver…
A ver, o que não se vê!
A sentir, o que não se sente!
A reaproveitar, o que já ninguém aproveita…

Apenas um aglomerado de palavras!
Frases moribundas com faculdades terapêuticas, que se perdem…
Num pequeno descuido,
Que faz sobressair o sentimento dito humano…

Impiedosa fórmula mágica que poucos querem entender,
Que nos sabe manter desconectados da vida real curtindo com o limite do irreal …

Acaba é por ser uma rodada de declamações temporais,
Que arrefece um qualquer ouvinte e que aquece o único orador
E que cai posteriormente, no grande poço do esquecimento.

Para mim, é uma arma que jamais alguém poderá desarmar …
Simplesmente fico embriagado com o cheiro a tinta,
E apaixonado pela textura do papel…
Eu sem ela sinto-me como o sol sem a lua, como o homem sem a vida, como o poeta sem a pena…

By: Sr_Próprio

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Quando se sonha tudo é possivel(fotos)




BY: SrProprio

Outono


Já estamos em Novembro, está frio, sento-me a ouvir o insuportável uivar do vento que anuncia as primeiras gotas de chuva e me faz lembrar os futuros prados que promovem a primavera…

Numa pequena tentativa, cruzo os braços, tentando atingir o último verão, pois tenho duas dúzias de minutos e um pé que treme de impaciência.

Olhando em volta, encontro um pouco de infelicidade arrumada numa velha memória mal apagada, barro-a com um suspiro e um pouco de desilusão que encontrei num resto de vida que me tinha sobrado, um tempero mal equilibrado a que chamam melancolia…

Cumprimento dois seres de quem não conheço o nome, olhando para uma daquelas crianças arrogantes que puxa a manga do seu tutor implorando castanhas e numa ultima aprovação olho para o interior de um café, cruzando o olhar com o de uma jovem de olhos apaixonantes e um sorriso desprovidos de qualquer preocupação…

Questiono-mo assim sobre o comportamento humano, e sobre a noção de unidade…no entanto sei que não há motivo para me afligir, porque sei que é normal, pois bem é natal!

Assim, lembro-me que não tenho pressa e nada para fazer, levando apenas meia dúzia de minutos a decidir que deixo este meu lugar a outro por dúzia e meia…

É afável, como todos se perdem nos mesmos lugares, será que é o frio do inverno que junta as pessoas?


By:SrPrópio

(foto olhares http://olhares.aeiou.pt/cours_decole/foto2181909.html)

O Caçador de emoções



Pairava constantemente no céu,
Perdido em nuvens de pensamentos!
Monólogos amplos e distantes
Criados por reflexos insolentes.

Certo dia…
O meu olhar sombrio atingiu
O teu ingénuo e vadio.

Frases secundárias
Pressentidas em
Código binário!

Palavras traduzidas por movimentos,
Movimentos anunciados por sons,
Sons abalados por medos.

E o tempo passou…

E quis
Pôr um nome,
Nessa tua cara…
Desenhei-o inúmeras vezes,
Mas não ganhou forma.

Apenas ângulos mal concebidos,
Formas irónicas de uma palavra
Que me gozava…

Tentei,
Em maiúsculas,
Em minúsculas,
Em prosa,
Em verso!

Mas a grafia continha sempre o mesmo erro!
Provavelmente fruto de não te rever…

Naveguei,
Naveguei à deriva dessa tua ventania,
Que trazias atrelada a ti,
Sempre que me entrevias.

Mar louco, tempestade negra,
Vela amachucada, perdida, desprezada
Por ser tecida por palavras em papel,
Murmúrios lançados entre relâmpagos e estrondos
Palavras sem valor próprio,
Pois ninguém as podia ouvir e por isso entender!

Tão perto, mas tão longe de qualquer encontro!
Neste local que é meu,
Mas também teu,
Onde velhas teorias se camuflam sob camadas de pó
Onde o conhecimento se perde em conversas transversais!
Onde impulsiono a minha instrução e dedico palavras e mais palavras,
Na esperança de entender de onde vem,
Todo o bem que me estás a fazer…

Entre meias-noites e meios-dias,
Fracos tempos imperfeitos
E incontáveis contratempos desfeitos…
Apreendi a arte de saber esperar…

Como o velho vinho embevecido,
Que amadureceu naturalmente…
Também tu precisas do teu tempo de espera,

E Espero-te…

A vinte graus de onde estou
Onde as temperaturas se alarmam
Quando há metamorfose entre actos e palavras…

Dá-me uma só,
E relancearei este nosso discurso para mais duas voltas
Pois tenho mil frases para te responder!

O meu sangue fulmina,
Fervem-me na alma ideias e pensamentos
Sinistros…

Bem sei que não há nada mais volúvel nem irregular
Que o meu pensamento…
Mas hoje, só a tua presença me engrandece
Pois, a teus olhos
Posso ser tudo o que quero
E mais ainda!

Do meu abatimento melancólico
À tempestade de furor,
Tento perdurar no teu tempo dominando
E intensificando a doce loucura,
Que é elevar as minhas capacidades sensoriais
ao êxtase…

Mas esta desoladora uniformidade,
Mecanizada sistematicamente,
Pela igualdade padronizada
Deste triste mundo destrói e seca tudo o que podes vir a ser…

A meu ver é a diferença que nos permite impulsão
Faculdade cujas molas se enferrujaram por falta de escrever…

Por isso,
Peço-te, que venhas comigo…
Numa última valsa,
Olhos nos olhos,
Corpo contra corpo…

Uma solitária e única dança,
Antes de me enterrares,
No cemitério do esquecimento!

Para mim, não há problema algum,
Já posso descansar em paz…
Pois terei recebido das tuas mãos
A grande felicidade de estares encruada na minha alma!

Não sou nenhum poeta,
Muito menos sou romântico,
Apenas sou um caçador de emoções…



By: Sr_Própripo inspirado em ti....

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Ferinhas








By:Sr.Proprio

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Três vogais e três consoantes


Escrevi, desenhei, pintei, recitei
E nada....
Corri, brinquei, cantei
E nada...
Pensei, pensei e pensei
E Parei…

Tinha deixado de escrever,
Perdido letras em conceitos que não se parecia comigo
Tinha confundido realidade e irrealidade
Apenas queria uma pouco mais de algo que sempre tive…

Cortei, rasguei, procurei,
E nada...
Corrigi, menti e gritei
E parei…

Sem ti não me consigo suportar
És um querer sem apetecer,
Um apetecer que foi sem querer

Não entendo mas gosto,
Não te vejo mas imagino,

Como olhar sem ver…
Como Andar deambulando
Como Sentir sem me emocionar
Como Perder sem jogar

Como estar, não mercando presença
Como ouvir sem entender
Como falar não pensado
Como tentar esquecer relembrando

Dói-me a alma,
Meti-lhe mais um penso…
Mas acho que vou é mesmo parar de pensar

É incrível,
Como de um silêncio esquecido passas a ser uma grande prioridade cada vez que te oiço murmurar…

Entras assim em cena…
De rajada…
Efeito secundário?
Arrefecesse as minhas ideias
Inflamam-se os pensamentos…
Alteras as minhas prioridades

Três Vogais e três consoantes e tenho o coração a 3000 emoções/segundo
Três sílabas e fico com convulsões…
Três segundos e…
Resisto, tento e desisto…

By:SrProprio

Κατάλληλος (Próprio)







Forma após forma,


Tomei todas as formas
A forma “própria” encontra-se
Em toda a parte …
Hydra…com as minhas magias
Que invertem a realidade e a tornam ilusão
Tenho mil corcéis atrelados a mim,
Que são o reflexo das mentiras, que se propõem a fazer-me feliz…

Mas sou líder,
Líder, desta minha auto-afirmação,
Vítima de todos os jogos de formas
Que me permitiram esta elevação!
Amnésico insensível, obrigo-me a
Ultrapassar todos os limites para obter a aprovação…
Pois apenas através do reflexo dos outros
Me consigo ver a mim…

Egocêntrico Compulsivo,
Aproprio-me do sentido da atenção
Intolerante, inseguro, ingénuo, insolente…
Elevo o meu riso sarcástico acima de todos os pensamentos!
Híbrido, entre hipocrisia e sinceridades,
Invento-me realidades,
Que dão luz a relações sintéticas,
Estas que me adivinham sinistro,
E que continuo a reproduzir de forma genérica...


Tenho sede…
Não de bem-estar…
Mas de mais ser…


By: Sr_Proprio

Flor





Sr.Próprio

Turbilhão de ideias




Digo coisas que não entendo
Leio coisas que não estão escrito
Penso no que não faz sentido
Descrevo o que não existe
Escrevo torto em linhas que ate me parecem as direitas
Estarei a morrer aos poucos?

Sou apenas metade de um ser dividido…
Que Vê cursos de água
Que descem da sua face e que
Fissura pastas de eucalipto,
Sempre que se magoa!

Desenho letras de traz para a frente
Letras mortas de nulo valor…
Não há remédio para o meu desespero
Quero pensar em silencio ouvindo o silêncio
Duvidas e mais duvidas, sem resposta objectiva
Tenho o coração grande certo!
Mas também tenho uma foto pequena de mais há mesa-de-cabeceira!

Infantilmente vou contra todas as regras
De boa educação…
Dou nas vistas…
Pois o que quero não se come,
O que quero não se toca
O que quero não se vê
Apenas se sente
Quando tomo conta do teu corpo
Quando tomas conta da minha alma

Os acontecimentos geram acontecimentos
Agora tenho a alma rasgada e pensamentos destruídos
Assaltaste-me as emoções, não consigo pensar!
Não consigo sentir…
Tenho simplesmente o cérebro lesionado
Por invasões de questões insolúveis …
Estou a beira de um ataque de letras
De uma asfixia instruída!

Porque escrever mais?
Mais uma das cartas que nunca foi escrita…
Mais uma carta que jamais será lida…
É bem conhecido, as almas são muitas e misteriosas ainda mais,
Muito gente morreu e morrera antes que desista,
Desista dessas minhas palavras que querem coisas que eu não entendo!
Mas espero…
Vejo mãos sem dedos!
Oiço a chuva a chegar ao sol…
Como legumes azuis amarelos e verdes
E não vejo a hora…já não faz sentido esperar!
Quem me garante que estarei vivo quando receber a tua resposta?

A melancolia encaminha-me por certos caminho que receio!
Admito, tenho medo, pavor…
Na minha cara estão desenhados a traços pesados o terror de morrer,
Sozinho cercado pelo vazio e a indiferença deste meu inevitável destino…

Também já não sei o que fazer para estar bem com a minha alma…
Para ser sincero tenho mais vontade de partir do que desejo de ficar
Morrer ou viver, é me indiferente
Tudo depende se te tiver a meu lado…

Se ainda escrevo, é apenas para os sonhadores,
Quando estes morrerem…
Também eu morrerei…
By: Sr_Próprio

Uma noite




Uma noite...

Adormeço contigo
Mas, no fundo,
Sei que me é proibido.

Na verdade,
Não sei o que sinto
E olho para a sombra da noite
Tentando assim responder,
Mas está tão negra, como o que pareces ser.

Sinto o teu coração Palpitar
E a minha respiração Acelerar.
O que fazer?

E sem saber porquê,
Segredo-te tudo o que nunca te poderei dizer,
Como se me aliviasse a vontade de te conhecer
E com a esperança de nunca te acordar…
Vou abraçar-te
E, claro, amanhã tudo ignorar

Será Cobardia?
Não sei…
Também não quero saber…

Acaricio-te a cara,
Leio nela tudo o que nunca poderei ler em mim,
Simplicidade e vontade de ser feliz…
(Será mesmo necessário haver uma razão para procurar a felicidade?)
E vejo tudo como se fosses a minha peça,
Peça que eu próprio escrevi
E que agora enceno contigo …

Tudo como tinha imaginado.
A decoração,
A representação,
A cena,
Nós como actores,
Tudo perfeito…

E ai deliro…
Serás mesmo tu?
A personagem por quem tanto esperei?

Passam-se horas…
E continuo a contemplar-te
Tão linda e tão serena…
Será mesmo possível?

E do nada
Entristeço
Pois Vi,
Vi o temível primeiro raio de sol…
Não pode ser (penso eu) …
(Que fazer?)

E sem medo
Arrisco um beijo
E, sorrindo, peço-te desculpa,
Abraçando-te como se nada fosse.
E adormeço,
Pensando que só foi um sonho
E que entre o meu mundo e o teu,
Ainda há uma grande distância a percorrer.

BY:Sr_Próprio

Peixe




Sr_Próprio

Será que os anjos existem?


«Pai, os fantasmas também tocam piano?»

Se os fantasmas tocam piano…?

É claro que sim, e bem alto, dançando todos de mãos dadas ao som de notas cantadas em prosa... Há quem diga que são sons ovais, outros sons cilíndricos, que apenas se fazem conhecer nas gamas da segunda dimensão, e isto apenas na escuridão mais intensa, quando o vento lhes serve de metrónomo e lhes dá à voz que há muito tempo foi corpo e que um dia se apagou….
«Pai, e os anjos?»
«Exitem?»
Se os anjos existem?
É claro que existem, são sem dúvida seres que nos transcendem...
E é esse pensamento que nos prende a esse mesmo sitio onde estamos, sem que nos seja possível sugestão de movimento. Esse tipo de ser que desliza de forma tão rápida que se torna impossível tentar atingi-lo, persegui-lo ou mesmo aborda-lo.
Os raros que conseguem fazem-no sem querer, contas mal feitas ao caminho que tinham traçado… e só apenas esses, conseguem interferir na vida desses anjos, que caminham voando e falam cantando.
Há quem diga que no presente são realmente um grande presente e no futuro um sonho, um resto de impossibilidade…
«E porquê?»
Porquê? Porque Falta-nos aquela faísca, aquele cheiro a detonação que emprenha as nossas pernas de meros humanos com o fogo de Deus, poção inflamável que chamámos amor, e nos permite segui-los pelos confins do universo…
«Pai, e…»
«Filho, a vida é um mundo cheio de questões insolúveis das quais apenas Deus tem a chave, repousa e guarda a tua curiosidade para amanhã...»
«Mas não tenho sono…
«Então pensa, sobre essas dúvidas todas e aí, se te portares bem, poderás ver os fantasmas a tocarem piano, os anjos a deslizarem…o amor a cantar...pois só a curiosidade nos faz crescer!



By:Sr_Próprio

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Caro Leonardo III

Meu querido Leonardo:

Entristece-me saber-te nessa melancolia, enclausurado na escuridão dos teus aposentos. Reconforta-me no entanto saber que Dona Lurdes te anima o espírito com o seu vilino. Já lhe telegrafei pedindo-lhe que toque para ti o Concerto en D minor Op.47 de Schoenberg. Tenho a certeza que te elevará ao eter arrancando-te da letargia a que te devotas-te.

Os meus contactos de Shaftesbury Avenue dão-me a certeza quase absoluta de encontrar Raquel ainda no decorrer deste mês. Sabemos que depois de chegar a Londres em Abril, seguiu quase de imediato para Calais onde lhe perdemos o rasto. Rogo-te um pouco mais de paciência, Sir Robert Peel é um, se não o melhor, detective da Scotland Yard e a sua busca por Raquel é neste momento o âmago da sua própria vida. Nota que o faz não porque lho tenha pedido, mas por devoção a ti e à tua obra.

Continuamos por Mumbai, comprámos uma pequena casa no Monte Malabar que de certo te irá agradar, com as suas árvores e plantas constantemente balançando com a suave brisa que vem do mar.

Encontrei noutro dia no Zaveri, enquanto procurava "O Síndrome de Ulisses" de Bolaño, um belíssimo exemplar de "Fome" de Knut Hamsum que te envio junto com esta carta.

Maria recupera dia a dia a boa disposição de outrora, agora com ar de quem tem 80 solarengas Primaveras (sim, as flores de Nalini operam verdadeiros milagres) dedica-se quase de corpo e alma à dança. Tem passado as tardes com Jean Coralli coreografando "Le Diable Boiteux". Um delírio para todos os sentidos já de si inebriados com toda a beleza envolvente.

Esperamos ansiosamente uma visita tua, agora que finalmente organizamos a biblioteca.

Um grande abraço e uma nota de dólar rasgada no meio.

Sebastião Sarmento
16 de Junho de 1918

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Cartas a Sebastião IV

Caro Sebastião…

Não sei qual foi o mal que me bateu a porta nem de onde vem ele, mas é um tanto sinistro…
A uns dias para cá, a melancolia tem me trancado no quarto, não tenho saído dele, estou como doente mas para a minha doença também não a remédio…
Diria que tudo perdeu a cor e o encanto, é o tédio que me consome neste momento.
Ate escrevo no escuro para não ver mais palavras…
Nunca mais vi Raquel…e o tempo ficou mais frio, sabes o quanto sou fraquinho!
As cores tornavam-se monótonas, os sons tornavam-me aos poucos surdos. E a minha animação desfalecia...
Desculpa-me meu amigo, por não te dar novidades a longos dias, mas acredita não me sinto bem…
A dona Lurdes já não sabe o que fazer, é uma mulher incrível preocupada e muito dedicada, ate tem trazido o seu violino, e todos os dias depois de servir o pequeno-almoço no condomínio tenho direito a uma hora de doce música.
Fico com o coração entorpecido, ai Raquel…será que lhe aconteceu alguma coisa?
Espero que por ai as coisas estejam melhores.
Se Maria voltou a andar é de certo porque o sol e a tua companhia aquecem mais…
Obrigado meu amigo, obrigado por todas as cartas e todos os momentos passados são a única luz neste meu espírito desarrumado.
Cada noticia tua soa-me como um novo recomeço…

Um abraço
Leonardo Constantinoviche

7 de junho 1918

domingo, 7 de junho de 2009

Lisboa, Lisboa...






By:SrProprio

sábado, 6 de junho de 2009

Caro Leonardo II

Meu querido Leonardo:

Fugimos de Paris antes de rebentar a primeira bomba e por sorte chegamos a Mumbai a tempo de ver florir as glicínias Cresceram barbas desde que aqui chegámos sem no entanto termos verdadeiramente partido. As ruas que tanto amámos tu e eu estão agora calcetadas de pregos e a árvore do desalento feita em pedaços pequeninos guardados em minúsculos frascos de vidro para se venderem aos turistas.Maria já anda sozinha, um pé depois do outro. Deves sentir um certo orgulho não? Voltar a andar ao 183 anos não para qualquer um.
Conclui na semana passada o meu estudo introdutório aos "Veios morfológicos do mármore de Carrara, que bem sei, em nada se compara ao teu "Estudo da madeira contemporânea". Temo informar-te que o volume III se perdeu no grande incêndio de 17 de Abril.
Da nossa janela já se vê o Ulhas agora que a luz é mais difusa.
Espero que encontres o que te espera em Londres. Agasalha-te e manten-te longe das Shepherds' Pies, sabes bem que o teu estômago não se dá com a massa folhada.

Um grande abraço e uma nota de dólar rasgada no meio.


Sebastião Sarmento
27 de Março de 1918

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Nos meus livros...


Nos meus livros o super-homem não voa, pois tem fobia de chegar aos céus...

Nos meus livros os actores fazem amor de memória…

Nos meus livros os vilões não têm sombra…

Nos meus livros a branca de neve levou com uma pêra na boca e a Cinderela tinha um nome impronunciável...

Nos meus livros a gata borralheira era constantemente seguida por cães, e fugiu com o melhor amigo do príncipe, acabando a vida num passeio a pedir esmola para alimentar os filhos...

Nos meus livros a bruxa era gaga e morre de uma cirrose…

Nos meus livros as coroas são de plástico, as espadas de cartão e os castelos de palha...

Nos meus livros o lucky luke bebia mais rápido do que a sua sombra...

Nos meus livros...
Há outros livros…
By:Sr.Próprio

domingo, 31 de maio de 2009

Eleições Para o Parlamento Europeu (Cidadão Europeu Informe-se!)


Há temas que me fascinam. A União Europeia e o modo como funciona é um deles. Sou um cidadão europeu. Digo-o com enorme orgulho. Sim, sou um adepto da integração europeia.
Talvez alguns de vocês, caros visitantes, não o sejam. Ainda assim é inegável, mesmo para os que são contra a integração europeia a importância destas eleições, até porque no próprio Parlamento Europeu estão representadas as facções anti-integração europeia (ex. a Front National).
Bem, quer sejam a favor ou contra, quer concordem com a via tomada pela integração europeia quer defendam outra, só poderam fazer valer o vosso ponto, votando, ou melhor, fazendo a vossa opinião estar representada no Parlamento Europeu.
Dado isto e também que muitas pessoas não votam nestas eleições porque simplesmente não sabem em quem votar, deixo aqui este link (muito interessante) http://www.euprofiler.eu/ . Espero que vos seja útil.
Um bem haja a todos vós assíduos leitores/seguidores.


PS1 - Peço desculpa pela forma demasiado "corrida" deste post, mas esta altura dos semestre é crítica e o tempo é sempre pouco (mesmo noutras alturas). Percam 5 minutos que seja no site ;).


PS2 - Este é o centésimo post no blog. PARABÉNS equipa! =D


LD

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Um pouco de nada e de tudo IV


Instantes depois da minha entrada no café do largo, tinha reparado que a rapariga de cabelo loiro me fixava de modo acido-o, assaltando-me constantemente com o seu olhar doce e de sensibilidade ingénua.
Tomei logo as minhas percussões, evitei o contacto visual e sempre que alguém me falava tentava dar nas vistas falando sobre a voz do meu interlocutores, batendo com a mão na mesa dizendo que não concordava, que era do país…
Ajeitando constante mente de modo primitivo o meu corpo cabeludo para o lado...acenando a pessoas desconhecidas.
Que estava afinal a fazer?
Quem me conhecera, em outros tempos, entenderia, pois sou de natureza tímida...e...preconceituosa.
Numa ocasião por ter deixado o relógio em casa obriguei-me e entrar dentro de um café, acabando por consumir um bolo para poder ler o relógio que estava no canto perto da televisão.
Estaria eu a falar mais alto por assim dizer, para justificar a razão de a rapariga continuar a insistir na minha pessoa?
Para fundamentar alguma coisa que estava de certa forma sem fundamento?
Tendo deste modo, a justificação ou a falta dela, que já ninguém olhava para os meus sapatos que não estavam engraxado ou para o remendo no joelho, mas sim para a minha cara pois estou a declamar que um café morno em Portugal era o melhor que se podia ter …
Ou estria a falsear a minha personalidade?
Demonstrando que sim não tenho medo e que posso e faço...?
Este tipo de rapariga destrói-me...
São seres que desconhecemos e que vêem por em causa a nossa modo de vestir de falar de andar para não dizer o nosso modo de arranjar o cabelo acabando na postura...
Que arrogantes…
Actualmente tenho o cabelo curto, por isso não me penteio, e tenho mais postura quando tento não a ter, visto-me por assim dizer com a roupa mais limpa que consigo encontrar em casa…e os meus sapatos já não os posso engraxar pois deitei-os fora o ano passado…
Quanto a raparigas?
Hoje sou eu quem as fixa, de modo acido-o, assaltando-lhes constantemente o olhar de modo doce e de sensibilidade ingénua…
By:SrPróprio

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Um pouco de nada e de tudo III


Talvez fosse desnecessário, tantos gritos mas tinha de o fazer...
Hoje deparei-me com uma situação bastante estranha.
Como sabes, nunca me faltou nada.
Também nunca precisei de tudo ou o nada era tudo do todo do que realmente precisava?
De qualquer modo por mais obsceno que parece dei por mim sem caneta.
Só queria ter uma caneta, a caneta ou simplesmente só caneta, mas a verdade é que não a tinha e querer ter algo que se não tem é realmente algo de muito frustrante.
Para mais é um instrumento imprescindível para este meu trabalho manual
Não a ter? Ai meu deus nem sei como te dizer, assemelha-se muito com o estar enjaulado, sinto-me como preso, por não conseguir prender por minha vez os meus próprios pensamentos que se evolam em sentidos convexos neste assalto.
Que drama meu amigo, é realmente uma necessidade, e quanto mais penso nisso mais fico nervoso, a minha mão revolta-se e pronto...
By:SrPróprio