segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009
81st Annual Academy Awards
- primeiro, foi muito agradável ver a remodelação do espectáculo da Academy of Motion Picture Arts and Sciences levada a cabo por toda uma nova equipa responsável por pôr os “Oscares” de volta no topo das audiências ( os produtores foram Bill Condon e Laurende Mark, produtores do filme Dreamgirls, por exemplo);
- segundo, Slumdog Millionaire (em Portugal Quem quer ser Bilionário) foi o grande vencedor, arrecadando 8 óscares (entre os quais o de melhor filme), em 10 nomeações;
- terceiro, The Curious Case of Benjamin Button (em Portugal O Curioso Caso de Benjamin Button) foi um dos grandes derrotados (digo eu), sendo premiado com 4 óscares (em 13 nomeações – o mais nomeado desta 81ª cerimónia dos Oscares). Os outros grandes derrotados foram Dark Night, Milk e Wall-E;
- quarto, fiquei desiludido com o facto de Angelina Jolie não ter ganho a estatueta de melhor actriz. Na minha opinião, em Changeling, Angelina Jolie demonstrou ser uma grande actriz e desempenhou o seu melhor papel até à data. Além disso, a profundidade e complexidade da sua personagem (Christine Collins) e a maneira como a “encarnou” faziam de Angelina a minha favorita na corrida ao prémio. Ainda assim, o Óscar não foi mal entregue, mas, quanto a mim, Angelina Jolie merecia a estatueta (e aqui falamos de questões de mérito);
- quinto, Wall-E foi quanto a mim o grande injustiçado da noite. Porquê? Muito dos que viram o filme saberão porquê. A profundidade de Wall-E, enquanto filme e enquanto personagem, as múltiplas mensagens e duplos sentidos que se nos apresentam no filme fazem dele um óbvio candidato a melhor filme (não foi nomeado) e melhor realizador (não foi nomeado). São escolhas é verdade, mas são também essas escolhas que demonstram quem somos e o que queremos. Neste caso, parece que a mensagem ecologista (e não só) de Wall-E não teve para a Academia assim tanta relevância, afinal de contas “já não estaremos cá quando o «mundo acabar» ”…;
- sexto, foi com um misto de felicidade e amargura que ouvi “and the winner is Heath Ledger”, na categoria de melhor actor secundário. Amargura porque Ledger não podia ali estar presente, pelo menos fisicamente. Amargura pela sua morte prematura. Amargura porque o seu primeiro Óscar no ano da sua morte. Gostaria de o ter visto subir ao palco e ouvir as suas palavras de quem já muito viveu (apesar da escassa idade). Felicidade porque ele merecia-o, ele era um grande actor e um intelectual. Não me esquecerei do seu estilo descontraído. Nunca se esqueceu do que era representar e do que era viver apaixonado (por isso nunca me pareceu verosímil a ideia de suicídio).
R.I.P. Heath Ledger (“I like to do something I fear. I like to set up obstacles and defeat them. I like to be afraid of the project. I always am. When I get cast in something, I always believe I shouldn't have been cast. I fooled them again. I can't do it. I don't know how to do it. There's a huge amount of anxiety that drowns out any excitement I have toward the project.”…).
Para mais informações consultem: http://www.oscar.com/nominees/?pn=nominees.
quinta-feira, 29 de janeiro de 2009
E se tivéssemos uma segunda oportunidade o que faríamos com ela?
Tock, tock, tock…
-Minha senhora, posso entrar?
-Claro Abílio, entra, entra por favor. Já tratou de tudo o que lhe pedi?
-Sim, minha senhora…
-Logo à tarde terá os resultados que pediu
-Um por continente lembra-se?
-Sim minha senhora um por continente…
-Muito bem. Mais alguma coisa, que deva saber!?
-Minha senhora se me permitir, acha que é uma boa solução? Fazer assim este empreendimento desta forma em sorteio?
-Abílio, a minha decisão, está tomada e não há nada que me possa fazer mudar de ideias e como sabes não tenho herdeiros…
-Sim minha senhora, no entanto não pensa que é um pouco cedo para tratar do testamento? E desconhecidos e se…
-Abílio, não volto a falar neste assunto, o dinheiro é meu, e faço o que entender!
-Sim, minha senhora!
(o tempo passou)
Tock, tock, tock…
- Minha senhora, posso?
-Claro Abílio, entra, entra…
- Minha senhora o sorteio foi efectuado, e com sucesso!
-Ai sim? Mais detalhes por favor…
-Inicialmente fi-lo, em África depois como me pediu na Ásia, passando pela Europa e acabando na América (norte e sul) …
-E tem mais detalhes sobre as pessoas que foram escolhidas?
-Sim claro, como me pediu liguei para o país adoptivo de cada um, pedindo toda a informação, o mais detalhada possível sobre cada qual…
Segundo acto
Cena 1
- (o pobre acorda, olha para todos os lados, sem se perder porém em lado algum)
- (e num segundo tempo olha para a carta e só depois acorda o vizinho, sem maneiras e de modo bruto)
Pobre -Amigo, amigo, acorde…
Pobre – Acorde, por amor de Deus!
(talvez deva mover os seus braços em sinal de desespero)
Pobre - Onde estou? O que se passou? O que fazemos aqui?
Ambientalista – Mas o que vem a ser isto?
Ambientalista – Quem é você?
Pobre – Não sei, estava aqui, você ai, e os outros todos, neste tipo de sala… e… uma carta!
(olha para ela com muito receio, diríamos como alguém que olha para uma bomba e não sabe o que fazer a não ser chamar alguém!)
Ambientalista – Pois bem, e leu-a? O que vem nela?
Pobre – Não sei, amigo não sei… para ser sincero sempre tive mais medo de uma caneta e de uma folha de papel, do que das cheias ou do inverno…Por isso, digo-lhe, não sei nem ler nem desenhar letras.
- (os outros acordam, cada um ao seu ritmo e contemplam a cena)
-( o ambientalista, começa a ler a carta em voz baixa,)
Ambientalista – Venho por este meio…Multimilionária….Sorteio…herança …Herança???!!
Ambientalista – Não pode, não pode ser…
Pobre – Mas o que foi, (bate-lhe no braço impulsivamente)
Ambientalista – Essspera lllá homem… (levanta as duas mãos ao céu, e relé a carta)
( e espera-se alguns segundos em quanto relé)
Ambientalista – li, vi, reli, e revi e…não há duvida! Há apenas uma coisa a dizer …
Pobre –( mostra impaciência, emitindo um grunhido)
Ambi – Somos, as pessoas com mais sorte neste mundo!
Cena 2
(Seropositiva ri-se como se lhe tivessem contado um piada seca, um riso curto e sarcástico, que vai anunciar o monologo do pobre)
Pobre – O quê? As pessoas com mais sorte neste mundo? Isso não é possível…
A minha mãe, eu… a vida nunca nos deu nada, é verdade que tivemos saúde, e depois? Será que é isso, sorte? E quanto aos outros? Há condimentos dos quais nunca conheci o sabor, antes pescava uma hora e tinha peixe para três dias, hoje pesco seis horas e é apenas para uma refeição! Os ventos têm trazido cada vez mais areia, e por isso moro cada vez mais longe da praia…
E quanto às chuvas já nada sei, nada entendo, o meu avô falou-me em prados verdes na primavera, eu nem regando consigo sonhar em colher um quarto do que semeio!
Talvez a culpa seja minha…
Vivo apenas para estragar um pouco mais cada dia o meu pobre corpo…se isto é sorte dou-a, e vendo-a a quem a quiser.
Ambientalista – Então homem? Que cara é essa?
Pobre – Apenas estava a pensar…
Amb – Mas a pensar no quê? Ganhas-te dinheiro homem, não morreu ninguém…
Pobre –(Com um sorriso bastante céptico de quem recorda a vida e de tudo o que perdeu responde) Calha mesmo bem, o meu relógio ficou sem pilha a semana passada…
Amb – Estás a gozar comigo? Não?... Ganhas-te muito dinheiro mesmo!
Pobre – Muito dinheiro? Mas como?
Amb – Ganhas-te dinheiro suficiente, para deixares de pagar uma renda e passares a ser proprietário de uma mansão!
Ganhas-te dinheiro suficiente, para deixares de ter uma acção para poderes ser dono de uma empresa!
Ganhas-te dinheiro suficiente, para deixares de andar a pé, para passares a voar…
Pobre – Então é mesmo muito dinheiro…
Amb – Meu amigo, vais poder tornar a vida de todos os que gostas mais agradável…
Cena 3
Entra o psicólogo
Psi – E a de todos os que não gostas, mais insuportável!
Amb – de qualquer modo, cada um faz o que entender, pois seremos em breve ricos, e então se isto não é sorte, é felicidade…
Seropositiva –(Rir-se de novo) Meu amigo, estou as ver que não entende nada de sorte nem nada de felicidade…
Felicidade
Felicidade, é comemorar o ainda estar viva, pois só já há mesmo isso para comemorar…
É saber que se estou viva apenas por tomar continuadamente as drogas que me dão para sobreviver…
É saber que quando vou tirar sangue para análises vou enfrentar mais uma daquelas filas de dezenas e dezenas de utentes e que por essa mesma razão, não vou ficar à chuva ou ao sol…
Psi - De que mal sofres tu então?
Seropositiva - Sou apenas uma mulher que já está um terço morta, perguntas qual é o meu mal, a minha resposta é simples, sofro de não poder escapar ao fundo do poço em que me encontro, sem que haja alguém que me lance a corda salvadora. Um dia também eu deixarei estas filas, mas para ir buscar outras e como eu, milhares e milhares de infectados pelo HIV.
Pobre – HIV? Mas o que é?
Seropositiva – HIV? É a infelicidade crónica, HIV, é não poder comer o que se quer estando apenas condicionada a comer o que se pode, é viver continuadamente cansada, é estar constantemente preocupada com os outros, é temer que uma simples constipação seja na realidade uma pneumonia, é poder esquecer o contacto com os animais pois estes amigos proporcionam-me mal estar…
É estar sujeito a discriminações, a dores de cabeça constantes, olhares reprovadores, uns são surdos por interesse outros cegos por necessidade sem contar com os que se fazem burros por obrigação.
Pobre – ???
Psi – O que ela quer dizer é que o VIH é um vírus devastador e que, entrando no organismo, já nada é possível fazer para o remover. Ele invade todo o nosso corpo, destruindo as células que defendem o nosso organismo.
As pessoas infectadas por este, os chamados seropositivos, perdem a capacidade de se defender contra micróbios que dificilmente incomodariam uma pessoa saudável.
Chamam-se doenças oportunistas que agem como ladrões que se aproveitam destes desastres naturais para roubar a desgraça alheia. Uma simples constipação torna-se numa pneumonia, e esta, esta pode conduzir à morte (fim do acto, ao fechar das cortinas, se é que me entendes).
Pobre - …
Seropositiva - Querem saber porque ainda me prendo à vida?
É justamente a música persistente que vive nas minhas ideias, que vem acompanhada da morte, que me sorri como uma ama a uma criança que vai embalar …
Por isso luto pela vida, que é o mesmo que lutar por essa felicidade, será o ódio dos homens ou a vingança de Deus?
Apenas sei que é a evolução da ciência e da filosofia que me mantém acordada…pensava poder convencê-los pela razão, pelo interesse, pela dignidade, pela liberdade, pelo amor, humanidade…mas de nada serve! Pois essas palavras revelam-se mudas quando sou eu o orador.
Ambientalistas - realmente penso que não entendo nada de nada, mas isso também não importa, o que é certo é que temos o dinheiro…
Seropositiva – E isso resolve-me o que? Vais me dar dois terços de vida? Achas que…
Pobre – Espera! Esse dinheiro é suficiente para retirar os grãos de areia que separaram entretanto a minha casa do mar?
Ambientalista -?
Seropositiva -?
Psicóloga -?
Terceiro acto
“trimmmmmmmmmmmmm, trimmmmm”
Prof – meninos, para trabalhos de casa quero que realizem a actividade dois da pag 54
João – mas que raio de sonho…
Narrador - O fim não nos interessa, pois como todos sabemos não existem multimilionários sem herdeiros, nem tão pouco sorteios loucos…
Apenas existem personagens que morrem em cena,
Actores que voltam para casa,
Espectadores que batem palmas e sorriem
Enquanto os problemas persistem….
sábado, 29 de novembro de 2008
quinta-feira, 13 de novembro de 2008
quarta-feira, 5 de novembro de 2008
OBAMA WON!!!!!!!!!!!!!
O democrata Barack Obama ganhou a corrida à Casa Branca e é o 44º Presidente Norte-Americano, para meu regozijo. Estou curioso quanto às suas primeiras medidas. Veremos...
A mudança avizinha-se...
LD
sexta-feira, 17 de outubro de 2008
Estudo precoce
A viagem marcada,
O dinheiro contado,
O nosso futuro brilhava,
O álcool corria,
As amizades flutuavam,
Porém surgiram os primeiros imprevistos…
Alguns perderam o comboio,
Tantos outros enganaram-se na estação…
Já lançado na sua maquina,
O maquinista começou a perder as suas carruagens!
Deixando antever o fim das promessas que constituem essa grande obra
Escravos do tempo!
Alguns correram,
Outros fugiram,
E os restantes desapareceram!
A memória é simplesmente algo que se consome com o tempo e se altera com a distância, dissipando-se como fumo branco, anunciando um recomeço dissimulado.
Aos que partiram, aos que ficaram, aos que desapareceram…
Tenho apenas a dizer:
Todos os contos têm um inicio,
Desenvolvidos por meios,
E acabando em fins…
Já se faz tarde
Já tenho as recordações arrumadas
Só me falta fechar a porta,
E apagar as minhas velas uma ultima vez.
Já sinto a liberdade a aclamar-me
Abraçando-me no beijo da escuridão
Só já sei, que é desta.
Não perderei o próximo comboio…
By:Sr.Proprio
quarta-feira, 15 de outubro de 2008
Hoje Jornal de Negócios GRÁTIS
quinta-feira, 9 de outubro de 2008
sexta-feira, 3 de outubro de 2008
segunda-feira, 29 de setembro de 2008
Álbuns Recomendados (Outubro)
Buraka Som Sistema - Black Diamond (29 Setembro), os afro-lusitanos que estão a dar que falar a nível mundial com o seu estilo alternativo e batida contagiante. A não perder!
T.I. - Paper Trail (30 Setembro), o rapper norte-americano que teve o seu auge em 2005 com o álbum The King, tentar redimir-se do seu não tão bem sucedido último álbum, T.I. VS T.I.P. (2007). Podemos esperar rimas inteligentes e um flow único, ou será mais uma desilusão?!
Termanology - Politics As Usual (30 Setembro), acompanhado pelo mítico DJ Premier, este rapper tem tudo para triunfar, letras com conteúdo, flow apurado e instrumentais (de DJ Premiere) pensados ao mílimetro. Definitivamente um álbum a escutar!
Devin The Dude - Lannding Gear (7 Outubro), um dos rappers mais underrateds do momento. Já com uma longa experiência, Devin traz-nos mais um álbum (o sexto), do qual podemos esperar grandes coisas. Boas letras, sobretudo isso...
Ludacris - Theatre of Mind (21 Outubro), cómico, irónico e inteligente, são talvez estes os melhores adjectivos para descrever Ludacris. Longe dos seus melhores anos. Porém, ele sempre nos surpreende...
Missy Elliot - Fanomenal (28 Outubro), ora aqui está uma mulher que nunca me deixa de surpreender. Também ela longe dos seus melhores tempos, mas com uma criatividade e dinamismo fora do comum. Vale sempre a pena escutar...
(Confesso que não tive muito tempo para aprofundar a minha pesquisa quanto às releases do próximo mês, daí as minhas poucas recomendações e o facto de quase todas pertencerem ao mesmo estilo musical [aquele que melhor conheço].)
domingo, 28 de setembro de 2008
I Believe I Can Fly (IV) by LD
Li, no Público de Sábado, que o nosso Presidente Aníbal Cavaco Silva voltou (em menos de um mês) a dar indicações ao Governo acerca do Orçamento de Estado, isto depois de, aquando da sua visita à Polónia, ter "pedido" uma maior verba do orçamento para o campo diplomático e rede de consulados (forma de potenciar relações internacionais mais "íntimas" e saudáveis). Desta feita, em Nova Iorque, o sr. Presidente "pediu" mais verbas para as famílias carenciadas.
Ora, nesta notícia há algumas coisas que me preocupam. Analisemo-la primeiro segundo um ponto de vista jurídico (não se trata de averiguar a constitucionalidade de tais declarações, pois essa questão nem se coloca, mas sim de demonstrar que o Presidente não tem qualquer competência legislativa, muito menos que se relacione com o Orçamento de Estado):
- primeiro, o art. 110º da CRP, no seu nº2, diz-nos que as competências dos órgãos de soberania estão tipificadas na Constituição e que são portanto de ordem pública, não podendo por isso, ser transmitidas, nem reguladas pelo legislador ordinário (princípio da tipicidade das competências dos órgãos de soberania, princípio da intransmissibilidade ou indisponibilidade de competências dos órgãos de soberania e princípio de reserva de Constituição);
- segundo, em nenhuma parte do Título II (Presidente da República), Parte III (referente à organização do poder político) da CRP, está escrito que o Presidente tem competências legislativas, e porque assim é, ele não as tem mesmo. As suas competências são exclusivamente políticas e diplomáticas e apesar de participar no processo legislativo através do instituto da promulgação/veto (uma concretização do princípio da separação e interdependência de poderes, enunciado nos arts. 2º e 111º da CRP), ele não tem qualquer competência legislativa;
- terceiro, sendo o Orçamento de Estado o principal elemento de definição e delimitação das políticas do Executivo ou Governo, faz todo o sentido que seja este a elaborá-lo (exclusivamente). Porém, tratando-se de diploma tão importante para a vida de toda a comunidade, faz também todo o sentido que seja o órgão representativo paradigmático (a Assembleia da República) a aprová-lo (não esquecer que a proposta de lei, partirá sempre do Governo, obviamente). E é isso que nos diz a Constituição no art. 161º alínea g, « Compete à Assembleia da República: [...] g) Aprovar as leis das grandes opções dos planos nacionais e o Orçamento do Estado, sob proposta do Governo »;
- Portanto, tem o Presidente competências que lhe permitam participar no processo de elaboração do Orçamento de Estado? Não! Têm então os seus "pedidos"/"chamadas de atenção"/indicações algum valor jurídico no processo? Não! Preocupa-me então que o Presidente dê estas indicações.
Analisemo-la agora de um ponto de vista político:
- primeiro, o sr. Cavaco Silva, enquanto Presidente, deve promover um clima de unidade, estabilidade e compreensão políticas e isso implica evitar declarações destas (repetidamente), sem aparente razão de ser - com declarações deste teor não estará o Presidente a fazer "oposição"?, indicações aqui e ali, façam melhor, devem investir mais aqui, etc. ...;
- segundo, sendo este o principal instrumento do Governo, o sr. Presidente não deveria fazer "pedidos" nem dar indicações, pois dessa forma estará a pressionar politicamente outro órgão de soberania e a interferir no seu principal elemento de trabalho, limitando-o - onde pára a separação de poderes?;
- terceiro, se pretende fazer uso das suas concepções individuais e políticas, então vete a lei do Orçamento (aqui, do ponto de vista jurídico, fazendo uso do art.136º da CRP), coisa que me parece pouco sensata, uma vez que aquando da etapa de promulgação ou veto, já a dita lei terá passado pelo Governo e pela Assembleia - fará sentido o Presidente não aprovar aquilo que foi aprovado por outros dois órgãos soberanos (um dos quais com legitimidade democrática directa)?, e não estará dessa forma o Presidente a limitar outro órgão de soberania? Ainda assim, do ponto de vista jurídico, poderia fazê-lo;
- quarto, é, quanto a mim, realmente infeliz o facto de, no estrangeiro, o nosso Presidente fazer "chamadas de atenção" ao Executivo - não será esta uma forma de exercer maior pressão política?, pensará quem está lá fora que o nosso Executivo é irresponsável e que o Presidente tem de o chamar à atenção, pedir-lhe que seja mais atencioso em certos aspectos?.
- Concluindo, o Presidente da República não tem competência para participar na feitura do Orçamento de Estado, por isso, os seus "pedidos" são irrelevantes do ponto de vista jurídico nesse processo (não vinculam, quanto muito podem ser persuasivos). Não obstante, políticamente estas declarações podem ter algum peso, podendo mesmo pressionar o Executivo e isso vai contra a separação de poderes. Políticamente, estas declarações parecem-me condenáveis - a não repetir!
PS - Atenção, eu não estou aqui a defender que o Presidente não deve ser interventivo. Sou inclusive da opinião que o deve ser, mas de acordo com as suas competências, constitucionalmente tipificadas. Deve vetar políticamente quando o achar conveniente (exige lucidez e responsabilidade), deve fazer uso do seu direito de requerer fiscalização preventiva e abstracta da constitucionalidade (no Tribunal Constitucional), deve promulgar, etc. . Deve também comentar acontecimentos marcantes, deve tranquilizar o país ou alertá-lo, todavia não deve comentar opções que não lhe cabem a ele e não deve "limitar", ainda que apenas políticamente (com comentários ou com o uso irresponsável do veto político), outros órgãos soberanos, a não ser nos moldes constitucionalmente estabelecidos (concretização do princípio da separação e interdependência de poderes).
LD
sábado, 27 de setembro de 2008
Frase da Semana ( 3º Setembro 2008 )
Antes de mais, gostaria de pedir as mais sinceras desculpas pelo atraso considerável da minha rubrica semanal.
Como é do conhecimento geral, ontem teve lugar o primeiro debate em que os candidatos à presidência dos Estados Unidos da América se encontravam frente-a-frente. O tema principal do debate era "relações externas", tendo sido dito por muitos que o Senador Mccain "jogava em casa". Por outro lado, o debate teve lugar na primeira universidade onde um negro estudou, o que poderia surgir como um factor de motivação para Barak Obama. Este é o contexto onde se deu o excelente debate, que eu confesso, não vi na integra, pois estava muito cansado, após 23 minutos de debate, sobre a ecónomia, sobre as instituições de Wall Street, sobre medidas legislativas relacionadas com a intervenção na ecónomia, temas a cerca dos quais tenho senão uma pequena ideia, fui me deitar exausto, dormindo sobre os lençóis, de tão cansado que me encontrava.
Sem mais rodeios, parece-me justo apresentar-vos aqui duas frases, uma de cada candidato, que, na minha opinião, estão carregadas de simbolismo.
Há que dar prioridade aos mais velhos, pelo que aqui vai a frase de McCain:
"Não podemos permitir um segundo holocaustro.".
Sendo que o senador se explica de seguida :
"A minha leitura da ameaça do Irão é que se o Irão adquirir a arma nuclear, será uma ameaça existencial para Israel e para os outros países da região porque os outros países da região vão sentir-se também obrigados a ter uma.".
Obama, falando sobre a actual crise financeira disse: "...este é o veredicto final de oito anos de políticas económicas erradas de George W. Bush apoiadas pelo senador McCain.".
Escolhi esta frase para que se possa discutir toda a governação do presidente Bush, desde o seu início, não só quanto as suas escolhas politicas na economia, mas tambem quanto ao 11 de Setembro, principalmente quanto à reacção encetada por George W. Bush, quais as outras alternativas etc. Explicando também a escolha da frase de McCain, a minha intenção, é que, se discuta agora numa outra direcção, não tendo em vista o passado, mas sim o futuro, pois é realmente uma frase que aponta para o futuro, ao contrário da frase dita pelo Senador Obama.
~André
terça-feira, 23 de setembro de 2008
Mais sobre o atentado ao Hotel Marriot
domingo, 21 de setembro de 2008
Notícias da Semana - A "Crise"
Julgo não serem necessários grandes comentários, pois o professor João César das Neves explicou com grande clarividência o que havia para explicitar. Não obstante, quero somente deixar clara a minha confiança na "mão invisível" do mercado e como consequência a minha total desaprovação quanto a uma possível intervenção do Estado na economia, neste caso, pois isso traria muitos mais inconvenientes que vantagens.

PS - Como dizia há dias o sr. José Pacheco Pereira, no jornal Público, «A "crise" não é o sinal da crise do liberalismo, mas sim do seu normal funcionamento, em sociedades e economias que incorporam o risco e os custos como parte do seu funcionamento normal, das regras do jogo dessa mão que Adam Smith dizia ser "invisível"». E continua «É o capitalismo cruel? Pois é, como a vida. Só que com uma diferença, os ciclos de equilíbrio e crise que sempre gerou foram aqueles que nos permitiram a enorme revolução da qualidade de vida, que desde o século XIX arrancou milhões e milhões de homens da miséria, primeiro na Europa e na América, depois na Ásia e hoje em particular na China. Obcecados pela nossa "crise", não incorporamos no nosso pensamento sobre o mundo essa verdadeira revolução na vida concreta de centenas de milhões de pessoas que se está a dar na Ásia, exactamente à custa daquilo a que, pejorativamente, chamamos dumping. E depois há uma outra verdade como um punho, que convém atirar para os olhos das sereias: não foi certamente o comunismo que fez esta revolução na vida concreta arrancada da miséria da maioria da humanidade, foi o intelectualmente vilipendiado capitalismo.»...Mais uma vez, não poderia estar mais de acordo.





